sábado, 10 de julho de 2010

Do Império Russo até a URSS. Parte II




Volto neste post para continuar a falar da passagem do Imperío Russo para a URSS. No post anterior falei da situação da população russa, do Domingo Vermelho, criação da Duma e dos partidos políticos e do clima de revolta com o Czar, Nicolau II.

No ano de 1914 tivemos a Primeira Grande Guerra, onde a Rússia embarcou para proteger a Sérvia que estava na mira do Império Austro-Hungaro_ não proteger por puro coleguismo, mas na realidade, para não perder sua influência na região dos balcãs e a saída para o Mediterrâneo.

Lembrando que a economia de guerra gera problemas enormes para a sociedade, pois o abastecimento do exército se torna prioridade. A produção cai, os preços aumentam, os salários se mantem baixos, aumenta o desemprego e a administração do país não faz nada para ajudar o povo, e as manifestações populares crescem rapidamente. E para piorar, os líderes das manifestações são presos. No fim das contas o povo mesmo tomava atitudes para se ajudar tamanha era a falta de comando.

Em 1916 morre Grigori Rasputin, que acabou tendo grande influência no governo do país, principalmente na época em que o Czar esteve fora para auxiliar na guerra.

Filme: Rasputin, Dark Servant of Destiny, eu assisti esse filme e gostei, acho que da para ter uma idéia de quem foi esse místico. Com Ian McKellen (Gandalf, Senhor dos Anéis) que interpreta o Czar Nicolau II e o Rasputin é interpretado pelo ator Alan Rickman (Severus Snape, Harry Potter).

Dia da mulher, auge da crise e fim da Dinastia Romanov: De 8 a 12 de março de 1917 (23 a 27 de fevereiro no calendário Juliano) explode uma série de manifestações espontâneas na capital Petrogrado, motivadas pela miséria e pela fome. Segundo relatos de Leon Trotsky, não havia nada planejado, nenhuma greve. As pessoas simplesmente começaram a se mobilizar, e de repente metade da população da capital estava em greve e os batalhões também se revoltaram contra o exército que fora ordenado pelo Czar a atirar. Esta foi a última decisão do Czar, que no dia 15 de março assinou sua abdicação. A Dinastia Romanov só irá conhecer seu fim em 17 de julho 1918, onde toda a família é fuzilada.

Duas forças políticas: Com o fim do czarismo, duas forças políticas já estavam se organizando, e enfim passam a comandar a Rússia: O governo provisório, proveniente de deputados (burgueses) da DUMA e os sovietes divididos em: socialistas-revolucionários (SR), mencheviques e bolcheviques (citados na parte I). O interessante desse duplo-poder, é que o povo não tem confiança no governo provisório e os sovietes não querem assumir as responsabilidades e tomam atitudes que passam por cima do governo, como controlar o exército.

Até a revolução Bolchevique, dois governos provisórios foram formados, com a participação da DUMA, SR e dos mencheviques, o último é presidido por Alexander Kerensky, antigo ministro de guerra. Os governos foram se desfazendo e refazendo graças a pressão popular, uma vez que suas principais necessidades não eram atendidas: fim da guerra e reforma agrária. O povo perdeu a confiança nestes partidos que se aliaram a burguesia e voltou-se para os bolcheviques, que voluntariamente ficaram de fora do poder. Era como se Lênin soubesse exatamente o que aconteceria, e como tal, percebeu que era chegada a hora de agir !


Revolução Bolchevique (revolução de outubro) em três partes

Teses de Abril:Lênin que da Suiça observou todo o movimento, retorna a Rússia
e começa uma grande campanha de propaganda de seus ideais, que foram chamadas de as Teses de Abril, com o slogan: Pão, Paz e Terra ! Apelou aos sovietes (conselhos de trabalhadores) "Todo poder aos sovietes". Lênin também queria mostrar a população que a guerra era um ideal burguês-capitalista, e com aquele governo atual jamais haveria cessar-fogo.

Dias de Julho: Uma das primeiras tentativas, foram os Dias de Julho (3 a 7 de julho), onde os bolcheviques lideraram um ataque de soldados e trabalhadores industriais na cidade contra o governo provisório. Kerensky ordena a repreensão deste ataque, alguns bolcheviques são presos e Lênin foge para a Finlândia.

O governo vai perdendo sua força, e Kerensky percebendo a força crescente dos bolcheviques, permite que eles se reconstituam. Em setembro os bolcheviques conseguem a maioria na Seção Trabalhista do Soviete de Petrogrado, Moscou e outras cidades importantes, sendo Trotsky eleito presidente.

A Insurreição: Lênin, ainda na Finlândia, envia uma carta ao comitê central do partido bolchevique, dizendo que era chegado o momento da tomada do poder, uma vez que os bolcheviques eram maioria, estavam organizados e propunham o que o povo queria. Na noite de 7 para 8 de novembro (24 e 25 de outubro no calendário juliano), as milícias organizadas por Trotsky tomam os pontos estratégicos da capital Petrogrado sem derramamento de sangue. Kerensky foge pela manhã seguinte. O palácio de inverno, sede do governo é tomado durante o dia, e à noite, o congresso pan-russo dos sovietes, de maioria bolchevista aprova a Revolução de Outubro, finalizando o governo provisório.

Os bolcheviques logo que tomam o poder, retiram-se da Primeira Guerra Mundial, assinando o tratado de Brest-Litovski com os países da Aliança, além do Decreto da Terra, que previa a abolição da propriedade privada para a redistribuição de terras entre os camponeses.

Finalmente os bolcheviques tomaram o poder... mas, e agora ? Como Lênin conduzirá essa nação ainda na miséria ? Como instalará o socialismo ? Será que toda a Rússia aceitou essa nova ordem ? E a saída da guerra, no que isso resultou ?

Estas perguntas serão respondidas na terceira parte o/

videtʹ Vas, vejo vocês em russo =D

Um comentário:

Jonas Paulo disse...

Sincero, mandou bem mais uma vez!

Esperando pela terceira parte!

Abraço!